Tokio
Hotel no Pavilhão Atlântico [reportagem + fotos]
Banda alemã recebida com histeria e
devoção. Depois do concerto cancelado em
Março, desta vez os Tokio Hotel apareceram mesmo.
Ao entrar no Pavilhão Atlântico, em dia de vai ou
racha para os Tokio Hotel, não é o movimento de gente
que impressiona. As bancadas estão cheias - de fãs e
de cartazes, quase todos escritos em alemão - mas a plateia
encontra-se bastante rarefeita. O que impressiona, mal se
transpõe as portas da maior sala de espectáculos de
Lisboa, é o som.
As jovens que se concentram frente ao palco - possivelmente, as
mesmas que acamparam uma semana frente ao Atlântico e se
transformaram em motivo de reportagem em todas as televisões
- unem-se num inacreditável grito colectivo de cada vez que
a música ambiente deixa de se ouvir. Julgando que Bill
Kaulitz, Tom Kaulitz, Georg Listing e Gustav Schäfer, os
adolescentes que há oito anos criaram os Tokio Hotel,
estão prestes a entrar em palco, as espectadoras mais
afoitas abrem a goela e produzem um som tão alto e agudo que
se diria capaz de perfurar ouvidos menos preparados.

Dizemos "elas" porque, como seria de esperar,
a esmagadora maioria do público é feminino. Há
mulheres (mães que acompanham as filhas e, em muitos casos,
também conhecem as letras), raparigas adolescentes e muitas,
muitas meninas, como a criança de oito anos que vimos de
mini-saia branca, leggings pretos com a palavra "sexy" estampada e
lábios pintados de batom negro. A seu lado, a mãe
acode-lhe nos momentos de maior excitação.
À hora marcada, os rapazes que todas estas raparigas queriam
ver - desde Março, altura em que o primeiro concerto foi
cancelado - entram em palco e provocam, naturalmente, o exacerbar
da gritaria registada até então.
Véu corrido sobre o palco, um pouco à
semelhança do que aconteceu, recentemente, no concerto dos
30 Seconds To Mars naquela mesma sala, e o cenário
desvenda-se em toda a sua elaboração. Vários
andares - parece que estamos num teledisco de hard-rock dos anos 80
- um interessante jogo de luzes e um palanque onde Bill Kaulitz, a
estrela da noite, cantará vários dos temas, em modo
diva.

Bill Kaulitz é o centro de todas as
atenções
Improvável estrela pop, o alemão de 18 anos
mostrar-se-ia comunicativo com as fãs, apesar do
débil inglês que mostrou falar, nas estudadas
intervenções antes de algumas músicas. Vestido
de preto e vermelho, Bill Kaulitz - figura mirrada, cabelo
espetadíssimo e olhos carregados de eyeliner negro e sombra
cinza - é claramente o centro das atenções,
apesar das muitas declarações de amor que, um pouco
por todo o recinto, contemplam os outros membros da banda.
"Break Away", a primeira música da noite, mal se ouviu
graças aos gritos das fãs; "Final Day", que se lhe
seguiu, mostrou Bill Kaulitz a descer a escadaria, do palanque para
o piso térreo do palco, com a perícia de quem pisa
uma passerele. Enquanto o vocalista glamouroso, que começou
a carreira numa espécie de mini Chuva de Estrelas a cantar
"It's Raining Men" , debita letras emocionais com que todas as
jovens presentes se podem identificar, a banda acompanha-o em
registo quase nu-metal.
"Live Every Second" transforma-se em hino juvenil, com o
público a vibrar com a mensagem de inconformismo e o
quarteto a banhar-se na adulação popular, enquanto
"Love Is Dead" faz com que brotem, no ecrã gigante ao fundo
do palco, chamas diabólicas que, provavelmente, correspondem
àquilo que arde sem se ver.
Num alinhamento generoso, não faltaram vários temas
em alemão - que mesmo as mais catraias acompanharam sem
hesitações - e uma mão cheia de baladas
à moda antiga, como "Don't Jump", com Bill Kaulitz de novo
em cima do palanque, ou a obrigatória "Monsoon", acompanhada
por imagens de nuvens de borrasca no ecrã gigante.
Curiosa foi a projecção de um pequeno filme, enquanto
os músicos se retiraram para trocar de roupa ou, quem sabe,
espreitar o resultado da final do Europeu. Nessas imagens, via-se a
banda a fazer compras e a escolher roupa, mas também a
passear com t-shirts dos Foo Fighters, assinar maminhas de
fãs e jogar matraquilhos. A ideia de "vida na estrada",
tão dura e tão doce, parece cara à banda,
até nesse ponto seguidora de uma certa iconografia
hair-metal dos anos 80.
No primeiro dos encores, os Tokio Hotel brindaram o público
com duas baladas à guitarra acústica, dedilhada por
Tom Kaulitz; antes de "Rescue Me", o seu irmão gémeo,
Bill, levou mais umas almas ao delírio, ao recolher e
guardar no colo um dos muitos peluches que as fãs lhe haviam
atirado (o seleccionado foi um cão).
A derradeira despedida, com "By Your Side", descambou em chuva de
confetis e no aparecimento súbito de vários pequenos
cartazes com o símbolo do clube de fãs dos Tokio
Hotel em Portugal e a legenda "wir sind hier" (nós estamos
aqui). Bombástico e emotivo, foi o final adequado para uma
matiné que as fãs tão cedo não
esquecerão.
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